Como contratar um eletricista: o que conferir antes de deixar entrar em casa
Elétrica não é o serviço para escolher pelo preço mais baixo: um erro de instalação não aparece na hora, aparece meses depois — em forma de curto, disjuntor queimado ou risco de incêndio.
Diferente de pintura ou jardinagem, um serviço elétrico malfeito não avisa na hora. Ele funciona normalmente por semanas — e falha quando menos se espera, com fiação recoberta por parede ou gesso.
É por isso que a escolha do eletricista pesa mais do que em quase qualquer outro serviço de casa. Abaixo está o que vale checar antes de fechar, na ordem em que normalmente aparece na conversa.
Registro profissional: quando exigir
Elétrica é uma das poucas áreas de serviço presencial com regulamentação profissional no Brasil. Eletricistas formados costumam ter registro no CREA (para técnicos e engenheiros) ou certificado de curso reconhecido pelo CFT (Conselho Federal dos Técnicos). Para serviços maiores — quadro de distribuição novo, entrada de energia, projeto elétrico completo — vale pedir a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), um documento que registra a responsabilidade legal do profissional pelo serviço.
Para reparos pontuais (trocar tomada, disjuntor, instalar um ponto de luz), a exigência de ART não é padrão de mercado, mas referência de trabalho anterior continua valendo.
O que perguntar antes do orçamento
Três perguntas resolvem boa parte do risco:
- "Você tem foto de um serviço parecido com este que já fez?" — pedir referência visual é mais direto do que pedir contato de cliente antigo, que a pessoa pode não querer compartilhar.
- "O orçamento inclui material?" — fiação, disjuntores e tomadas variam de preço por marca e amperagem; um orçamento sem material discriminado é difícil de comparar com outro.
- "Quanto tempo de garantia você dá pelo serviço?" — não pelo material (que é do fabricante), mas pela execução. Eletricista que hesita nessa pergunta merece atenção.
Sinais de alerta
Alguns comportamentos merecem desconfiança, independente do preço:
- Recusa em explicar o que vai fazer antes de começar.
- Preço muito abaixo dos demais orçamentos, sem explicação de por que é mais barato.
- Insistência em receber o valor total adiantado, antes de qualquer trabalho.
- Uso de material sem marca reconhecida sem avisar o cliente, quando o combinado era outro.
Nenhum desses pontos, sozinho, prova má-fé — mas a combinação de dois ou mais é motivo para procurar outro profissional.
Depois do serviço
Serviço elétrico bem-feito deixa rastro: o eletricista deveria conseguir explicar, em poucas frases, o que mudou na sua instalação (por exemplo, "troquei o disjuntor de 20A por um de 25A porque o chuveiro puxa mais corrente do que o antigo suportava"). Se a explicação não faz sentido ou o profissional evita dar detalhes, vale pedir uma segunda opinião antes de considerar o serviço concluído.
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